20 de fevereiro de 2013

NUTRICIONISTA CLÍNICO: UMA PROFISSÃO AMEAÇADA DE EXTINÇÃO!

Quem assistiu ao programa de TV “Hoje em Dia” da Rede Record no dia 13 de fevereiro de 2013, teve a oportunidade de ver uma equipe multidisciplinar em saúde, composta por profissionais médicos (endocrinologista, cardiologista e nutrológo), fonoaudiólogo, psicólogo e profissional de educação física, atuando em um quadro de obesidade infantil. A missão da série de reportagens era mostrar a evolução positiva na saúde daquela criança, mas infelizmente, pelo ou menos no episódio em questão, não vimos um nutricionista compor a equipe, o qual foi substituído pelo profissional nutrólogo, que é um médico especializado em nutrologia (Ciência da Nutrição).

Como assim? Um médico “nutricionista”?

Podemos dizer que sim, o que difere é que como médico o mesmo pode prescrever medicamentos, tratamentos diversos, inclusive os nãos ligados à alimentação, bem como diagnosticar as várias doenças existentes, inclusive as não ligadas á alimentação e estado nutricional, além de atender clinicamente como qualquer médico clínico geral. Na série de reportagens podemos ver a profissional nutróloga prescrever um cardápio para a criança, o que em outras palavras conhecemos como plano alimentar ou dieta; e ensinar a mãe sobre alimentação saudável, o que chamamos de educação alimentar e nutricional.
O Nutricionista Clínico é o especialista em Nutrição Clínica que atende
pessoas sadias e enfermas, tendo como ferramentas privativas, como qualquer
nutricionista a prescrição dietoterápica e a educação alimentar e nutricional, 
ferramentas estas, que tem sido usadas por outros profissionais, inclusive
 médicos, o que contraria a Lei 8234/91 que regulamenta a profissão. 
Fiscalização efetiva? Não sabemos onde está.


Segundo a Lei 8234/91, que regulamenta a profissão de nutricionista, no Artigo 3º, incisos VII e VIII, a educação nutricional e a prescrição dietoterápica a sadios, enfermos e a coletividade são atribuições privativas do nutricionista; em outras palavras, a profissional nutrológa, não poderia exercer tal papel, mesmo sendo médica.
Geralmente os pacientes que procuram médicos, sejam nutrológos ou endocrinologistas, saem do consultório com uma dieta "padrão" e sequer aprendem os benefícios de uma alimentação saudável na prática. Caso o projeto de Lei do ATO MÉDICO seja sancionado, os profissionais da nutrição podem temer pelo fim da especialização em nutrição clínica, pois sabemos que a atual realidade de alguns nutricionistas clínicos é bem complicada, visto que não há empatia por parte de alguns médicos pela classe. Quem trabalha em um hospital geralmente tem suas atividades restringidas e aqueles que trabalham em clínicas ou consultórios próprios não recebem encaminhamento de pacientes. Se a situação está assim hoje, imaginem amanhã depois do Ato Médico?
A situação da saúde no Brasil é precária, médicos não dão
conta de atender a demanda de pacientes que adoecem por
falta de ações de prevenção primária como a Educação
Alimentar e Nutricional

A saúde no Brasil é precária, cada vez mais vemos nos telejornais a situação dos hospitais públicos com superlotação, onde muitos pacientes evoluem a óbito nas salas de espera e corredores. Isso é entre outras, a falta de ações de prevenção primária, tais como a vigilância, segurança e educação alimentar e nutricional.
Os brasileiros precisam de equipes multidisciplinares e não de um profissional que domine conhecimento em todas as ciências da saúde; na prática em saúde pública do nosso país, temos visto que isso não tem dado certo. 
O nutricionista não é um profissional que faz cirurgias ou prescreve medicamentos, mas têm sua importância no cenário da saúde, principalmente na questão da prevenção de doenças. Se nutrológos e endocrinologistas continuarem a exercer atividades privativas desta classe, aliada ainda com a divulgação errada por parte da mídia e sanção da Lei do Ato Médico, certamente a área de nutrição clínica será substituída definitivamente pela endocrinologia e pela nutrologia, sendo esta última a nomenclatura da Ciência da Nutrição, ciência dos nutricionistas que médicos insistem em atuar.
Quanto à mídia, esta continuará fingindo-se de leiga e que não conhece as diferenças entre as profissões. É preciso que as competências do profissional nutricionista previstas em Lei sejam garantidas, o que infelizmente não anda acontecendo, os Conselhos precisam ser mais atuantes nesta causa. 
Conselhos de Nutricionistas, até quando?

6 comentários:

  1. Que absurdo, isso não pode continuar assim!

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  2. Desmotivante....
    Pior é pagar conselho regional e sindicato todo ano e ler essas notícias.

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  3. vaos lutar pelo nosso reconhecimento profissional, temos s alei do nosso lado! sejamos profissionais atuantes, militantes, críticos e auto-críticos.

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  4. Sou estudante de nutrição e fico muito assustada ao ver essas matérias, penso e tenho medo em me formar e não atuar na área...

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  5. Vocês já repararam que os médicos estão cada vez mais querendo entender de nutrição?
    E muitos passando suplementos alimentares e vitaminas como forma de tratamento. E pagamos tão caro por um conselho que não nos protege.

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  6. Somos Nutricionistas e cabe a nós a prescrição de dieta, reeducação alimentar e nutricional e também a prescrição de suplementos para pacientes que deles necessitem. Precisamos nos posicionar como profissionais e nos fazer respeitar.

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